Escola da Inteligência alerta sobre perigos e cuidados na internet


A Escola da Inteligência é um programa educacional com objetivo de desenvolver habilidades socioemocionais no ambiente escolar. Assim, estamos constantemente alertas em relação a tudo o que possa interferir no desenvolvimento saudável de nossas crianças e jovens.


Por isso, gostaríamos de compartilhar com familiares, professores, gestores e demais pessoas envolvidas na educação e instrução dos alunos, informações e orientações sobre algumas ameaças recentemente disseminadas por meio da internet e do celular. Trata-se de “jogos” em forma de desafios criados com o intuito de ameaçar e coagir crianças e jovens, podendo chegar a situações extremas, que colocam vidas em perigo.


Antes disso, é importante salientar que as aulas da Escola da Inteligência têm como finalidade trabalhar nos bastidores da mente, com a formação de pensadores, fortalecendo a autoestima, promovendo o pensamento crítico e o protagonismo de nossos alunos, de forma a estarem emocionalmente mais preparados diante de desafios como esse.


Assim, acreditamos que agir diante de situações específicas como essa é essencial, mas o grande trabalho deve ser feito no dia a dia, com carinho, orientação, acolhimento, abertura para reflexão e para o autoconhecimento. É isso que buscamos proporcionar aos alunos, familiares e colaboradores das instituições de ensino ao longo do ano letivo. Em outras palavras, queremos dizer que nosso compromisso é agir na causa, prevenindo que sintomas como esses surjam, visto que essas ameaças são sintomas de uma sociedade adoecida, de uma geração frágil, que sofre muita influência da mídia e da opinião dos outros.


Nosso trabalho, portanto, é formar crianças e jovens mais conscientes, capazes de demonstrar resiliência e autoconfiança, podendo aprender a viver em um mundo tão instável quanto o da atualidade. Diante disso, nós, a Escola da Inteligência e a AGE (Academia de Gestão da Emoção), estamos criando o primeiro programa mundial de gestão da emoção para prevenção de suicídios, chamado Você é insubstituível: uma vacina emocional contra os suicídios, no qual os embaixadores do projeto são: Ministério da Justiça, Polícia Federal e Associação de Magistrados do Brasil.


Tendo isso em mente, nosso intuito a partir deste texto é informar e dar subsídios a todos que trabalham e convivem com crianças e jovens para que possam refletir sobre a melhor maneira de lidar com a situação.


O que são esses jogos ou desafios?


No ano de 2015 foi criado um tipo de desafio virtual denominado Baleia Azul, que foi disseminado em grupos do Facebook e instruía os “jogadores” a cumprir 50 tarefas, uma por dia, que começavam com exigências simples - como desenhar uma baleia em um papel - e ficavam mais perigosas com o passar do tempo, envolvendo mutilações físicas e até o autoextermínio. O público principal e mais vulnerável ao jogo era o de adolescentes e, caso houvesse tentativa de desistência durante os desafios, os jovens recebiam diversas ameaças no intuito de forçá-los a continuar. O jogo se espalhou por diversos países e, no Brasil, o desafio tornou-se conhecido no ano de 2017, resultando em uma série de consequências graves, como casos de ferimentos físicos intensos, chegando até a morte.


Alguns meses depois, em 2018, uma nova ameaça se espalhou por vários países, incluindo o Brasil. Desta vez, tratando-se de uma espécie de personagem chamada Momo, uma boneca com aparência sombria que era adicionada aos contatos do WhatsApp e enviava mensagens de conteúdo violento, agressivo e ameaçador, propondo desafios absurdos que envolviam risco de morte (é importante frisar que o conteúdo dessas mensagens podia coagir os jovens a enviar informações sigilosas sobre a família, contribuindo para a possibilidade de fraudes e ameaças).


Logo após essa primeira versão, por um breve período, a boneca Momo desaparecera da internet, tendo sido recentemente ressuscitada nas redes sociais, neste ano de 2019. Há ainda muita investigação sendo feita sobre as novas aparições da personagem, mas, por causa de todo o pânico gerado pelos últimos relatos, a Escola da Inteligência vem sugerir como os pais e responsáveis podem agir nesse contexto.


Quais os riscos envolvidos para os participantes?


Entre os principais riscos destacam-se o roubo de informações pessoais, incitação ao suicídio ou à violência, assédio, extorsão, e o desenvolvimento ou agravamento de transtornos físicos e psicológicos como ansiedade, depressão, insônia, dentre outros.


Como as crianças e jovens são convidados para esses jogos?


Normalmente os convites vêm pelos grupos das redes sociais, contatos do WhatsApp, ou mesmo pela troca de informação entre colegas que já tiveram contato com os desafios.


O que pode motivar a participação nesses jogos?


Algumas crianças e jovens podem entrar no desafio por acharem divertido, sem saber, no entanto, dos riscos oferecidos. Contudo, pode ser que eles estejam vivendo momentos difíceis e procurando por algo que possa envolvê-los, como um projeto ao qual possam se dedicar, ou mesmo um grupo do qual possam fazer parte. No caso do jovem, quando este não consegue encontrar um sentido para a sua vida, cumprir os desafios pode ser confundido com uma forma de mostrar o seu valor, capacidades e conquistas. Além disso, os criminosos aproveitam a associação entre a conta do WhatsApp com o Facebook para coletar informações sobre a vítima e, dessa forma, ameaçam sua vida e a de seus parentes e amigos, fazendo chantagem para que cumpram os desafios.


Como denunciar?


Caso chegue a seu conhecimento a participação de qualquer criança ou jovem nessas espécies de jogos, é importante agir imediatamente para protegê-lo. Denunciar é essencial, pois você estará contribuindo para a proteção de centenas de pessoas.


A denúncia deve ser feita aos administradores da própria rede social em que estiver acontecendo a propagação do jogo, além de informar as autoridades locais ou mesmo a delegacia de crimes sociais. Páginas do Facebook podem ser printadas ou fotografadas e conversas do WhatsApp salvas ou exportadas. Estes dados ajudarão as autoridades e responsáveis a chegar aos possíveis suspeitos e tomar as providências cabíveis.


Como prevenir e proteger nossas crianças e adolescentes?


1. Oriente o seu filho ou aluno: a proibição do uso da internet não é a melhor solução, mas sim a orientação e supervisão do uso. Oriente sobre os riscos que existem e como se proteger: nunca oferecer informações pessoais, comunicar aos responsáveis sempre que notar algum contato ou conversa suspeita, entender que não se pode confiar em todo mundo, ser estimulado a utilizar os recursos da internet de forma saudável. Esteja atento à criança ou jovem enquanto estiver no celular, supervisionando o uso.


2. Informe: mantendo a preocupação de ajustar sua linguagem ao que a criança ou o jovem podem compreender, no caso da boneca Momo, por exemplo, explique que ela não existe, que se trata da foto de uma escultura de um artista estrangeiro. Esclareça que existem pessoas mal-intencionadas por trás dessas mensagens, mas que seus alunos ou filhos sempre poderão contar com adultos para resolver a situação quando se sentirem desconfortáveis com algo ou em perigo.


3. Esteja atento às mudanças de comportamento: isolamento, quietude em excesso, comportamento agressivo ou arredio, choro constante, ou sintomas parecidos, sinalizam que algo não vai bem. Caso perceba esses comportamentos no seu filho ou aluno, demonstre abertura para o acolhimento. Esses são sinais importantes que alertam não apenas para o risco de envolvimento com jogos, mas para possíveis transtornos emocionais que merecem nossa atenção.


4. Mostre abertura para conversar sobre os problemas: crianças e adolescentes possuem uma série de conflitos internos comuns no desenvolvimento, desta forma é preciso demonstrar abertura para conversar sobre eles. Ouça seu filho ou aluno, demonstre interesse em seus problemas e ofereça orientação, ninguém precisa passar por tudo sozinho.


5. Forme uma rede de proteção: esteja próximo do seu filho ou aluno, dos amigos dele e, se possível, das famílias dos amigos, professores e demais pessoas que convivem com ele. Nem sempre somos capazes de perceber os significados dos comportamentos emitidos pelos jovens, além de não convivermos com eles em todos os momentos. Uma rede de apoio e proteção interligada pode ser muito útil para estar por dentro do que acontece na vida dele.


6. Incentive o desenvolvimento de aspectos saudáveis: a melhor forma de prevenir riscos é pelo desenvolvimento de aspectos saudáveis. Contribua para um ambiente onde o jovem possa desenvolver sua autoestima, confiança, inteligência socioemocional e relacionamentos significativos. Esse ambiente deve estar presente na família, escola, em grupos esportivos ou atividades de lazer, e todos os demais ambientes frequentados pelos alunos.


Crescer e se desenvolver em um mundo complexo e arriscado não é fácil, e a tecnologia não é a vilã; é apenas uma forma de propagação de problemas que sempre existiram, mas que apresentam uma roupagem contemporânea. Assim, continua sendo importante a valorização de aspectos preciosos nas relações com filhos e alunos: o carinho, o cuidado e a atenção às nossas crianças e aos jovens. Devemos estar alertas, estar atentos, mas mais do que isso, estar presentes!


Queridos familiares e educadores, contamos com a atenção e o compromisso de vocês para formarmos uma geração emocionalmente mais saudável e protagonista da sua psique. Contem sempre conosco!


Atenciosamente,


Camila Cury e Equipe Escola da Inteligência

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